E sobrou, apenas, as palavras não escritas. As frases transformadas em grunhidos, hesitação. Os olhares em silêncio e as mãos, outrora unidas, medo.
Todo fim é previsível. Nenhum deles é desejado.
Dos gagejos, ficaram promessas. Ser amigos, talvez voltar, passar o tempo e ver se o coração aperta.
A incerteza suspira.
A emoção em um castelo de palitos.
O choro engolido, mas os olhos vermelhos.
Não há certezas. Há o fim.
21.11.09
5.8.09
Ela
Ela é a tempestade que chove calada.
As gotas caindo sutis, temerosas do barulho que podem causar.
A tormenta muda, insistente. Ao mesmo tempo que alimenta, castiga.
Com a imobilidade do frio e a violência do calor.
Ela é o paradoxo, a contradição. Os "nãos, sims, talvez".
O espanto calado, a ociosidade barulhenta.
Ela, com seus caracóis, seu sorriso, seu respirar.
É o meu doce paradoxo. Salgado.
Uma ana, que mesmo sendo dia prefere a noite.
As gotas caindo sutis, temerosas do barulho que podem causar.
A tormenta muda, insistente. Ao mesmo tempo que alimenta, castiga.
Com a imobilidade do frio e a violência do calor.
Ela é o paradoxo, a contradição. Os "nãos, sims, talvez".
O espanto calado, a ociosidade barulhenta.
Ela, com seus caracóis, seu sorriso, seu respirar.
É o meu doce paradoxo. Salgado.
Uma ana, que mesmo sendo dia prefere a noite.
22.7.09
Não há nada
que me faça
desejar a distância
que você
me impõe
ao sair assim
tão amiúde
da minha frente
para embarcar, triste
em suas aventuras errantes
enquanto conto as horas
os minutos e os segundos
que precedem o calor da sua volta
para embarcar de novo
nas nossas manhãs sonolentas
e nas nossas noites insones
e viver como se o mundo
não precisasse mais
da nossa presença.
que me faça
desejar a distância
que você
me impõe
ao sair assim
tão amiúde
da minha frente
para embarcar, triste
em suas aventuras errantes
enquanto conto as horas
os minutos e os segundos
que precedem o calor da sua volta
para embarcar de novo
nas nossas manhãs sonolentas
e nas nossas noites insones
e viver como se o mundo
não precisasse mais
da nossa presença.
14.7.09
De você (Ou Saudades)
De você vou levar todas as boas lembranças de nós dois olhando o céu e conversando amenidades. E levarei também, na minha malinha, um bocado de sentimento ainda não-usados, claustrofóbicos.
De você já nutro uma saudade, uma vontade, um medo infantil da solidão.
De você levo o vício do seu corpo junto do meu nas nossas noites sem sono, o desejo dos seus trejeitos sutis nas manhãs sonolentas.
A saudade das tardes eternas, dos filmes, dos sorvetes, das danças íntimas. De você fico uma gama de sentimentos bons, de lembranças, de sorrisos e de saudades.
Saudades.
De você fico com uma imensa vontade de não ficar longe, de não te perder, de sequer, ficar longe de você.
Eu sou saudades.
De você já nutro uma saudade, uma vontade, um medo infantil da solidão.
De você levo o vício do seu corpo junto do meu nas nossas noites sem sono, o desejo dos seus trejeitos sutis nas manhãs sonolentas.
A saudade das tardes eternas, dos filmes, dos sorvetes, das danças íntimas. De você fico uma gama de sentimentos bons, de lembranças, de sorrisos e de saudades.
Saudades.
De você fico com uma imensa vontade de não ficar longe, de não te perder, de sequer, ficar longe de você.
Eu sou saudades.
16.6.09
O Palhaço
Senti vontade de escrever em cada espaço em branco daquela parede. Deixar, ali, uma marca daquela profussão de sentimentos.
O palhaço ainda com a maquiagem, chora seus terremotos internos.
Nas paredes estaria escrita a gloriosa história dele, que morreu afogado em suas lágrimas, até encontrar a outra parte da sua solidão.
A água consome o palhaço e faz dele um espetáculo tragicômico.
A história seria cíclica, sem fim. Mesmo sem acreditar na eternidade, aquele era um momento em que ele queria a eternidade.
Em um suspiro, o palhaço encontra o pássaro. Ele então agarra-se ao pássaro e experimenta uma lufada de liberdade.
À esse momento, o vinho já lhe descia mal, quando imaginou as belas declarações que ele gostaria de escrever.
O tragicômico passou, mas o palhaço ainda mantinha os seus medos. Não confiava.
A tontura chegou, procurou uma caneta próxima. Ele precisava falar aquilo.
O palhaço calou-se
O palhaço ainda com a maquiagem, chora seus terremotos internos.
Nas paredes estaria escrita a gloriosa história dele, que morreu afogado em suas lágrimas, até encontrar a outra parte da sua solidão.
A água consome o palhaço e faz dele um espetáculo tragicômico.
A história seria cíclica, sem fim. Mesmo sem acreditar na eternidade, aquele era um momento em que ele queria a eternidade.
Em um suspiro, o palhaço encontra o pássaro. Ele então agarra-se ao pássaro e experimenta uma lufada de liberdade.
À esse momento, o vinho já lhe descia mal, quando imaginou as belas declarações que ele gostaria de escrever.
O tragicômico passou, mas o palhaço ainda mantinha os seus medos. Não confiava.
A tontura chegou, procurou uma caneta próxima. Ele precisava falar aquilo.
O palhaço calou-se
31.5.09
Com aquele seu jeito sutil e calmo, pegou sua bolsa branca, olhou-me, tocou meus lábios com sua boca e disse:
- Tenho que ir. Amanhã nos vemos.
E a conjunção dessas simples palavras, vendo-a e observando-a na beleza dos seus cachos pretos me fez perceber o quanto eu gosto dela. Tive a certeza, quando ela olhou nos meus olhos e ameaçava sair sorrateira, o quanto eu desejava-a perto de mim. Não disfarcei meu desejo de estar com ela, na minha face. Mesmo assim, menti.
- Tudo bem.
- Mesmo? Não vá ficar pensando coisas ruins.
Sorri e percebi que minha expressão de desalento e tristeza quando ela anunciou que iria embora foi mais forte e marcante do que imaginei. Falei que não havia problemas, mesmo que internamente eu sentia um desejo assustador de ficar com ela por, pelo menos, algumas horas a mais. Mas tinha que respeitar a sua liberdade e o seu desejo de ir.
Ela foi.
- Tenho que ir. Amanhã nos vemos.
E a conjunção dessas simples palavras, vendo-a e observando-a na beleza dos seus cachos pretos me fez perceber o quanto eu gosto dela. Tive a certeza, quando ela olhou nos meus olhos e ameaçava sair sorrateira, o quanto eu desejava-a perto de mim. Não disfarcei meu desejo de estar com ela, na minha face. Mesmo assim, menti.
- Tudo bem.
- Mesmo? Não vá ficar pensando coisas ruins.
Sorri e percebi que minha expressão de desalento e tristeza quando ela anunciou que iria embora foi mais forte e marcante do que imaginei. Falei que não havia problemas, mesmo que internamente eu sentia um desejo assustador de ficar com ela por, pelo menos, algumas horas a mais. Mas tinha que respeitar a sua liberdade e o seu desejo de ir.
Ela foi.
22.5.09
Cecília
Cecília foi embora e me deixou apenas a enfermidade. Tísico. Ela arrumou as malas. Deixou-me com um abraço e uma promessa de volta. Indeterminada. Reagi com pasmidão e o choro me consumiu tão lego não percebi mas seu perfume no apartamento. As toses então não tardariam a começar.
Ela me deixou sozinho com um sentimento do tamanho do mundo para administrar. Foi em busca da sua vida, da sua liberdade, de outros amores. Mesmo sob os meus protestos, nem meus olhos cheios de lágrimas a fizeram mudar de idéia. Cruel, ela estava decidida a partir, a me deixar. Eu não pude fazer nada.
Não quis olhar o arrumar das suas malas, seu cabelo molhado da despedida, nem seus olhos lacrimejantes. Relutei para perceber um pouco de hesitação na sua despedida, tentei aceitar tudo me guiando por uma razão incompreensível.
- Eu te entendo - Quis dizer.
O sentimento foi mais forte e agora meus pulmões expelem sangue ao lembrar-me da despedida de Cecília para um longe desconhecido. Não deixou cartas, só um beijo na minha nuca dado com um estalo e pouca saliva, um caderno e essas malditas tosses. Recentemente tenho descoberto vultos da sua presença no meu apartamento. Ela ainda me assombra.
Ela me deixou imerso a uma onda de sentimentos furiosos sem salva-vidas e a única coisa que podia fazer era chorar na frente da minha imagem, desgastada e velha. O amor envelhece. Escrevi cartas que não mandei. Chorei lágrimas que não ouso admitir. Não durmi. E meu maldito pulmão passou a expelir sangue, assim, logo depois que ela se foi.
Ela me deixou sozinho com um sentimento do tamanho do mundo para administrar. Foi em busca da sua vida, da sua liberdade, de outros amores. Mesmo sob os meus protestos, nem meus olhos cheios de lágrimas a fizeram mudar de idéia. Cruel, ela estava decidida a partir, a me deixar. Eu não pude fazer nada.
Não quis olhar o arrumar das suas malas, seu cabelo molhado da despedida, nem seus olhos lacrimejantes. Relutei para perceber um pouco de hesitação na sua despedida, tentei aceitar tudo me guiando por uma razão incompreensível.
- Eu te entendo - Quis dizer.
O sentimento foi mais forte e agora meus pulmões expelem sangue ao lembrar-me da despedida de Cecília para um longe desconhecido. Não deixou cartas, só um beijo na minha nuca dado com um estalo e pouca saliva, um caderno e essas malditas tosses. Recentemente tenho descoberto vultos da sua presença no meu apartamento. Ela ainda me assombra.
Ela me deixou imerso a uma onda de sentimentos furiosos sem salva-vidas e a única coisa que podia fazer era chorar na frente da minha imagem, desgastada e velha. O amor envelhece. Escrevi cartas que não mandei. Chorei lágrimas que não ouso admitir. Não durmi. E meu maldito pulmão passou a expelir sangue, assim, logo depois que ela se foi.
17.5.09
Ontem
Vou preparar chá de limão porque você não gosta de café. Colocar o vídeo para funcionar e procurar algum filme bom para vermos juntos. Vou cozinhar aquele ensopado que você comeu e disse que estava maravilhoso e não vou assistir ao jogo hoje, porque sei o quanto isso te chateia. E quando você chegar, vou te falar das amenidades da minha vida e tentarei fazer você rir. Vou perguntar como foi a viagem e se você teve cuidado porque o ar daquela cidade não é muito bom e eu não quero ver você com nenhuma enfermidade. Vou perguntar se você se divertiu e das suas aventuras no estrangeiro e vou torcer para que sim, porque a sua felicidade é a minha felicidade.
Vou comprar um vinho para tomarmos juntos e vou ficar do seu lado, espantado com o seu doce sorriso e o jeito que você enrola os seus cachos pretos com seu dedo da mão esquerda e procura sempre a melhor palavra para me falar. E vou ouvir você falar com um sorriso no rosto e uma paz na minha alma. E vou querer ver em que você mudou e procurarei isso no seu comportamento e nos seus detalhes e vou imaginar um pedido de casamento ali, por minha parte, porque novamente terei certeza que gosto de você mais do que tudo e que poderia morrer ali, engasgado em suspiros poéticos e sentimentos doces.
E aí, quando o vinho subir à cabeça e minha língua ficar mais solta, vou falar do sentimento imensamente lindo que sinto por você e da minha vontade de estar com você, meu doce dragão. Vou quebrar todas as regras e tentar te dizer as palavras mais bonitas que você me inspira e vou arriscar tudo, porque ser só teu amigo me machucaria mais do que me faria bem. E vou hesitar e minhas pernas irão tremer ao esperar, dos seus olhos, dos seus lábios, uma resposta para aquela rídicula e sincera tempestade sentimental.
Vou comprar um vinho para tomarmos juntos e vou ficar do seu lado, espantado com o seu doce sorriso e o jeito que você enrola os seus cachos pretos com seu dedo da mão esquerda e procura sempre a melhor palavra para me falar. E vou ouvir você falar com um sorriso no rosto e uma paz na minha alma. E vou querer ver em que você mudou e procurarei isso no seu comportamento e nos seus detalhes e vou imaginar um pedido de casamento ali, por minha parte, porque novamente terei certeza que gosto de você mais do que tudo e que poderia morrer ali, engasgado em suspiros poéticos e sentimentos doces.
E aí, quando o vinho subir à cabeça e minha língua ficar mais solta, vou falar do sentimento imensamente lindo que sinto por você e da minha vontade de estar com você, meu doce dragão. Vou quebrar todas as regras e tentar te dizer as palavras mais bonitas que você me inspira e vou arriscar tudo, porque ser só teu amigo me machucaria mais do que me faria bem. E vou hesitar e minhas pernas irão tremer ao esperar, dos seus olhos, dos seus lábios, uma resposta para aquela rídicula e sincera tempestade sentimental.
15.5.09
Espera
Descobri a certeza em meio a uma fúria incerta.
Espero você no meu salão arrumado, com flores à mão
e sentimentos à pele.
Descobri a garganta engasgada, o coração apertado
as pernas trêmulas e revi os medos pueris.
E aí me vi como começamos, de cabeça virada para o céu
conversando sobre amenidades e esperando a coragem chegar.
Engasguei com as minhas palavras e adicionei uma confissão
a lista de coisas inconfessáveis que já te falei.
- Não me peça para ficar longe de você. Não assim.
E vi no seu semblante a dúvida, sua cabeça pesada. Achei que,
por não ver mais seus olhos tristes e encontrar nos seus lábios
um sorriso doce, talvez aquilo fosse um bom presságio.
E tratei de dar mais uma varridinha no salão e arrumar mais uns quadros
para que, por via das dúvidas, se você decidisse ficar que aquilo lhe fosse ainda mais agradável.
- Não conte em segundos, conte em dias.
E sem querer você me condenou a suspiros poéticos, a espera interminável e a procurar formas de expressar aquilo que sinto, ainda que de forma velada, para não pressionar você.
Por mais que eu tente, você se materializa nos meus sonhos e me vejo deitado com você, olhando as estrelas, assim como começamos - e falando amenindades até a coragem chegar.
A espera me dói como uma faca enfiada no meu coração e o sangue escorrendo pelo meu corpo.
Espero você no meu salão arrumado, com flores à mão
e sentimentos à pele.
Descobri a garganta engasgada, o coração apertado
as pernas trêmulas e revi os medos pueris.
E aí me vi como começamos, de cabeça virada para o céu
conversando sobre amenidades e esperando a coragem chegar.
Engasguei com as minhas palavras e adicionei uma confissão
a lista de coisas inconfessáveis que já te falei.
- Não me peça para ficar longe de você. Não assim.
E vi no seu semblante a dúvida, sua cabeça pesada. Achei que,
por não ver mais seus olhos tristes e encontrar nos seus lábios
um sorriso doce, talvez aquilo fosse um bom presságio.
E tratei de dar mais uma varridinha no salão e arrumar mais uns quadros
para que, por via das dúvidas, se você decidisse ficar que aquilo lhe fosse ainda mais agradável.
- Não conte em segundos, conte em dias.
E sem querer você me condenou a suspiros poéticos, a espera interminável e a procurar formas de expressar aquilo que sinto, ainda que de forma velada, para não pressionar você.
Por mais que eu tente, você se materializa nos meus sonhos e me vejo deitado com você, olhando as estrelas, assim como começamos - e falando amenindades até a coragem chegar.
A espera me dói como uma faca enfiada no meu coração e o sangue escorrendo pelo meu corpo.
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